Publicado em 08 outubro de 2026 às 15:45
Instituído em 2006 pela Assembleia da União Latino-Americana de Entidades de Psicologia (Ulapsi), o Dia da Psicologia Latino-Americana completa 20 anos nesta quinta-feira (8). A data é um marco para a identidade e a articulação da Psicologia na região e convida psicólogas e psicólogos a refletirem sobre sua responsabilidade científica, profissional e ética diante dos desafios sociais do continente.
Segundo manifesto dos Conselhos Deliberativo e Executivo da Ulapsi, atualizado em 2018, a celebração busca estimular a reflexão crítica sobre a atuação profissional e reafirmar o compromisso ético da categoria. O documento destaca as profundas desigualdades sociais e econômicas da América Latina e defende uma prática alinhada aos direitos humanos e à justiça social.
Para o CRP-03, o conhecimento produzido na América Latina tem papel importante na construção da ciência e de práticas que dialoguem com as condições sociais, políticas, econômicas e culturais da região. Nesse percurso, diferentes perspectivas passaram a questionar os modelos hegemônicos de inspiração europeia e norte-americana, valorizando a realidade histórica e social dos povos do continente. Entre elas estão a Psicologia Social da Libertação, associada à obra de Ignacio Martín-Baró, e a Psicologia Comunitária, que aproximaram a produção e a prática psicológica das necessidades dos territórios e de suas populações.
A autarquia defende que uma Psicologia socialmente comprometida exige diálogo permanente entre entidades de classe, profissionais, instituições de ensino e sociedade. Quando formação, produção de conhecimento, prática profissional e regulamentação caminham juntas, a profissão responde melhor aos desafios de cada contexto.
Isso passa também por valorizar práticas contextualizadas e reconhecer a pluralidade de saberes dos territórios. Para o CRP-03, considerar os conhecimentos e as experiências de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, tradicionais e outros grupos historicamente marginalizados é essencial para ampliar as perspectivas da Psicologia e enfrentar desigualdades na produção de conhecimento e na atuação profissional.
Assim, o CRP-03 reafirma a defesa de uma Psicologia ética, crítica, plural e socialmente comprometida, que contribua para a justiça social, a equidade e a garantia de direitos.
Prosas Descoloniais
Esse debate também está presente em iniciativas do Conselho Federal de Psicologia (CFP), como a série de podcasts “Prosas Descoloniais“. A produção reúne diferentes olhares sobre a descolonização da Psicologia e provoca reflexões sobre os saberes, as práticas e as referências que orientam a profissão.
A série aborda temas como decolonialidade, saberes tradicionais, contribuições indígenas e afro-diaspóricas, desigualdades regionais e caminhos para uma Psicologia mais plural e contextualizada.
O regional convida psicólogas, psicólogos, estudantes e demais interessados a conhecerem a série e a participarem desse debate, por uma Psicologia cada vez mais conectada às realidades e aos saberes dos povos latino-americanos.
Confira o material selecionado pela biblioteca do Conselho sobre o assunto: https://drive.google.com/drive/folders/1e2tGffYXvbZCf2SwM9-pbdjnqWJJuwIq
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